06/02/2019

Bebê com malformação rara é operado dentro da barriga da mãe em cirurgia inédita no DF

Médicos especialistas em gestação de alto risco fazem cirurgia inédita
Médicos especialistas em gestação de alto risco fazem cirurgia inédita em bebê de 27 semanas — Foto: Arquivo pessoal

Médicos especialistas em gestação de alto risco fazem cirurgia inédita em bebê de 27 semanas — Foto: Arquivo pessoal

Uma bebê que ainda nem nasceu se tornou pioneira em um procedimento cirúrgico realizado no Distrito Federal. Ela foi operada nesta semana, ainda no útero da mãe, e recebeu um balão na traqueia para ajudar no desenvolvimentos dos pulmões.

A mãe, que está com 27 semanas de gestação, e a bebê passam bem. O procedimento foi realizado no Hospital Santa Luzia, da rede particular de Brasília, com o auxílio de um aparelho que tem uma câmera acoplada na ponta.

Segundo o obstetra Matheus Beleza, o músculo do diafragma da menina tem uma falha que precisava ser corrigida. “Colocamos um balão na traqueia do bebê para obstruir toda secreção que o pulmão produz e deixar o órgão expandir”, explicou o médico.

“O aparelho vai ajudar a desenvolver o pulmãozinho da bebê, ainda dentro da barriga da mãe.”

A cirurgia durou uma hora e meia e precisou que as duas pacientes fossem anestesiadas, pois a criança poderia sentir dor durante o procedimento.

Equipe de saúde que participou da cirurgia fetal na bebê de seis meses no DF — Foto: Arquivo pessoal

Equipe de saúde que participou da cirurgia fetal na bebê de seis meses no DF — Foto: Arquivo pessoal

A equipe que conduziu a cirurgia é formada por um médico do DF e dois especialistas em gestação de alto risco vindos do Rio de Janeiro. De acordo com os médicos, o procedimento de cirurgia fetal já é feito pela rede pública do DF, mas esta é a primeira vez que é usado para este fim.

Malformação rara

A menina, que não teve o nome informado – a pedido da família – tem uma malformação no abdômen conhecida como hérnia diafragmática. O problema foi diagnosticado ainda nos primeiros meses de gestação, mas foi preciso esperar até o sétimo mês para realizar a cirurgia.

O médico Matheus Beleza explica que a patologia é considera “grave e rara” e, de acordo com a literatura médica mundial, acomete 1 em cada 4 mil bebês nascidos vivos.

“Os pulmões passam a ser comprimidos pelos órgãos da barriga e isso impede que eles se desenvolvam”.

Médico prepara instrumento para cirurgia em feto de seis meses — Foto: Arquivo pessoal

Médico prepara instrumento para cirurgia em feto de seis meses — Foto: Arquivo pessoal

Apesar do procedimento delicado, a cirurgia não resolve o problema da malformação. Quando a mãe completar 34 semanas de gestação, a bebê passará por uma nova cirurgia fetal para a retirada do balão da traqueia.

Ao nascer, ela deve ser submetida a mais um procedimento, segundo os médicos, dessa vez para tentar corrigir o problema.

Caso semelhante

Em julho do ano passado, dois irmãos gêmeos também passaram por uma cirurgia ainda dentro do útero da mãe que estava com 24 semanas de gestação. A fetoscopia era, segundo os médicos, necessária para salvar a vida das crianças.

Os irmãos, unidos pela mesma placenta, precisaram ser separados durante a formação porque estavam com o desenvolvimento comprometido. Um deles recebia mais sangue e, com isso, “corria risco de sobrecarga cardíaca”, explicou a médica obstetra Larah Santillo.

Fetoscopia foi relaizada no Hospital Santa Helena, em Brasília; procedimento é inédito no DF — Foto: Rafael Nunes/Santa Helena

Fetoscopia foi relaizada no Hospital Santa Helena, em Brasília; procedimento é inédito no DF — Foto: Rafael Nunes/Santa Helena

O outro bebê recebia os nutrientes em menor quantidade e “sofria com crescimento menor e possível anemia”, disse.

“Agora, os dois bebês se desenvolvem de forma independente, como gestações únicas nas quais não se compartilha a circulação.”

A cirurgia ocorreu no Hospital Santa Helena, também da rede particular de saúde do DF. O procedimento, apesar de delicado, foi considerado pelos médicos como “bem-sucedido”. A mãe, de 33 anos, e os filhos passam bem.


Fonte: Fonte: G1