11/01/2021

Ultrapassamos o limite do tolerável, ministro. Chega!

Pazuello disse que profissionais da saúde praticam extorsão ao reivindicar direitos.

Enquanto milhões de profissionais da Enfermagem se expõem na luta contra a Covid-19 e centenas perdem a vida na linha de frente, deixando famílias inteiras desamparadas e despedaçadas pela dor da perda, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello acusa profissionais da saúde de extorsão, simplesmente por que esses trabalhadores estão reivindicando direitos, condições dignas de trabalho e reconhecimento.

A infeliz declaração foi feita pelo ministro durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (11) e demonstra a falta de sensibilidade em relação à situação dos trabalhadores que fazem o sistema de saúde funcionar. _“O momento agora não é de reivindicações. O momento agora não é de abono salarial. O momento agora é de salvar vidas. A discussão não pode ser quanto eu ganho, quanto eu vou ganhar. Esse não é o momento, senão fica parecendo uma extorsão”_, disse Pazuello.

Antes de tudo, os profissionais da Enfermagem merecem respeito. Depois de todo o enfrentamento à pandemia, é inaceitável que a autoridade máxima do Ministério da Saúde venha a público fazer insinuações infames desta natureza, para tentar calar a voz de quem tem o direito de se expressar em defesa de melhores condições de trabalho e de vida.

Se conhecesse de perto a realidade dos profissionais da Enfermagem, o ministro saberia que a situação da categoria já ultrapassou o limite do tolerável faz tempo e que esse tipo de declaração pode ser o estopim que falta para uma revolta sem precedentes entre os profissionais da saúde. Portanto, antes de dizer aos outros para se calar, recomendamos ao ministro ouvir, antes que seja tarde demais.

Não é de hoje que os profissionais da Enfermagem salvam vidas. Nós fazemos isso desde sempre, enfrentando sobrecarga de trabalho, salários defasados e jornadas exaustivas de trabalho. A situação dos serviços de saúde, que já não era boa, ficou péssima e as melhorias não podem ficar para depois, precisam acontecer imediatamente. Afinal, se não for agora, quando será?

Que esse episódio sirva como ponto de partida para uma união nacional entre profissionais, lideranças e instituições de todo o país em defesa da Enfermagem, pois os trabalhadores não aguentam mais tanto amadorismo, exploração e desfaçatez. Precisamos fazer alguma coisa, não dá mais para permitir tanto desrespeito e desconsideração. Chega de abuso!

Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal