01/01/2011

Nº 030/2010 Promoção de Curso de Capacitação para Habilitar o profissional Enfermeiro para Inserção de Cateter Central Periférico.

PARECER COREN-DF Nº 030/2010 ASSUNTO: Promoção de Curso de Capacitação

PARECER COREN-DF Nº 030/2010

ASSUNTO: Promoção de Curso de Capacitação para Habilitar o profissional Enfermeiro para Inserção de Cateter Central Periférico.

ANÁLISE:

                        O Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP) é um cateter longo e flexível construído em silicone ou poliuretano radiopaco inserido através de punção venosa periférica realizada por profissional enfermeiro ou médico devidamente capacitado e treinado.  Após a punção, o cateter é introduzido na veia e progride em seu interior, seguindo seu trajeto anatômico até que sua extremidade distal esteja localizada no terço médio de veia cava superior. A fixação é feita exclusivamente por curativo (TAVARES, et al, 2009.p.69).

                        Sansiviero (apud TAVARES et al, 2009) descreve alguns problemas frequentes encontrados com o manejo do CCIP, estratégias para corrigi-los e preveni-lo. As Complicações relacionadas á inserção do cateter são: punção arterial; estimulação do ramo nervoso; hemorragia; hematoma; arritmia cardíaca; dificuldade na progressão do cateter; embolia por cateter; dificuldade na retirada do fio guia; mau posicionamento do cateter. Já as complicações após a inserção são: flebite mecânica; flebite química; flebite bacteriana; infecção no local de inserção; infecção sistêmica relacionada ao cateter; trombose; fratura do cateter com potencial de embolia; infiltração; obstrução do cateter e migração do cateter. 

                        Segundo Freitas e Martin (2010), o CCIP é considerado um acesso venoso confiável, já que se encontra instalado em veia central de grosso calibre. Ele está indicado quando a previsão de uma terapia intravenosa prescrita variar de sete dias a vários meses; para administração de antibióticos por longo tempo; para infusão de agentes antineoplásicos, drogas irritantes e/ou vesicantes ou aquelas que apresentem extremos de pH  e osmolaridade; para infusão de sangue total e/ou hemoderivados; para verificação de Pressão venosa central.

                        Para Shiramizo (2010) a habilidade e o conhecimento do profissional durante uma situação de emergência são ímpares, sendo imprescindível o conhecimento do material de cada cateter, do tipo de dispositivo, da flora bacteriana do local de punção, do melhor e mais fácil local de punção e do tempo de permanência de cada dispositivo para não expor o paciente a outros riscos.

                        Segundo os autores Kowagoe e Camargo (2010) a assistência a saúde tem-se tornado mais complexa não somente pela gravidade de pacientes internados, como também pelo uso de dispositivos invasivos, em especial os acessos vasculares, que aumentam os riscos de infecções da corrente sanguínea. Os estudos demonstram que um pacote de medidas preventivas, com reforço consistente no uso de técnica asséptica durante a inserção e a manutenção de acessos vasculares, tem reduzido substancialmente essas infecções.  Para a execução dessas medidas preventivas, é necessário que os profissionais de saúde possuam capacitação técnico-científica quanto as melhores práticas no cuidado com o acesso vascular e trabalhem de forma sincronizada e consistente com o objetivo definido de evitar as complicações decorrentes da inserção e manutenção de cateter vascular.

                        A instituição de saúde ou ensino que elaborar projeto para ministrar Curso de Capacitação para o profissional Enfermeiro sobre inserção de Cateter Central Periférica (PICC) tem a função e responsabilidade de estabelecer critérios para uso de cateteres vasculares, elaborar e normatizar procedimentos de inserção e de cuidados na sua manutenção, monitorar os eventos adversos. 

                        A instituição de saúde que ministrar o referido curso de capacitação deverá permitir que o enfermeiro aprendiz, execute práticas que habilitem profissionais Enfermeiros para executar procedimentos de PICC e ter na instituição de saúde, um “Protocolo Institucional para Inserção, Manuseio e Remoção de cateter central periférico”, de modo a contemplar a assistência ao paciente domiciliar, ambulatorial e internado, para que a execução deste esteja corretamente direcionada e assegurada dentro dos limites éticos e legais (FREITA, MARTIN, 2010).

                        Para Barreto e Farah (2010) as Instituições estão sendo impulsionadas a responsabilizar-se por parte da formação e atualização dos profissionais, em razão das novas competências que periodicamente os profissionais devem assumir, conseqüência da tecnologia em rápido desenvolvimento e da maior complexidade das atividades a serem desempenhadas. Ter um diploma deixou de ser garantia de trajetória profissional estável, já que a escola nem sempre acompanha o ritmo das mudanças.

                        Capacitar é qualificar a pessoa para um determinado trabalho e torná-la habilitada para o desempenho de uma função.

                        A capacitação profissional é importante para a vida das pessoas, porque possibilita dar condições para o exercício de determinadas profissões como também objetiva abrir oportunidades de trabalhar, oferecendo melhor adaptação ao mercado competitivo, uma vez que a pessoa deverá estar pronta, com hábitos e atitudes condizentes às exigências desse mercado.

                        Em um curso de capacitação, devem ser desenvolvidos os conteúdos importantes de orientação para que o profissional enfermeiro adquira informações, conhecimentos técnico-científicos e oportunidades de executar a prática do procedimento sob a supervisão do profissional enfermeiro experiente e habilitado para executar a inserção do Cateter Central Periférico (PICC). A certificação profissional deve conjugar técnicas e instrumentos de avaliação diversificados como cognoscitivo (saber), psicomotor (saber fazer), e socioafetivo (saber ser), adequados as especificidades do profissional e às diferentes exigências de desenvolvimento do mundo do trabalho.

                        PALEFSKI e STODDARD e MARTIN et (2010), é por meio de treinamento especializado e experiência que o enfermeiro em terapia intravenosa adquirirá a eficiência e a habilidade necessária para dispensar um tratamento de qualidade, contribuindo para diminuir a incidência de complicações e reduzir os custos em termos de materiais, mão de obra e o tempo de hospitalização.

                        O Curso de capacitação deverá apresentar uma carga horária compatível para serem ministrados os seguintes conteúdos:

  • revisão de anatomia e fisiologias dos vasos sanguíneos;
  • relações humanas com o cliente e familiares;
  • complicações que poderão acontecer ao inserir ou retirar o referido cateter;
  • conhecer e saber fazer a escolha do tipo de cateter a ser utilizado e o melhor local a ser inserido;
  • conhecer os fatores de riscos de infecção;
  • conhecer os materiais necessários para executar esse procedimento;
  • aprender a elaborar o formulário referente ao termo de consentimento de inserção deste cateter pelo cliente ou familiares;
  • conhecer como elaborar protocolo junto a instituição de saúde, de modo a respaldar o profissional a executar o procedimento e solicitar os exames necessários para certificação do posicionamento do cateter e proporcionar meios para que o profissional Enfermeiro aprendiz possa executar três procedimentos bem sucedidos de inserção de cateter central periférico tanto em adulto, pediatria e na neonatologia, sob a supervisão de um profissional Enfermeiro capacitado e experiente em executar este procedimento.

 

                        O supervisor tem por objetivo avaliar o processo de aprendizagem e encontrar as causas de um eventuais técnicas mal sucedidas, pois dessa forma, as falhas, poderão ser corrigidas, sobretudo em procedimentos que incorporam regras de segurança e regulamentos em defesa da saúde e do meio ambiente.

                        Esta avaliação, dentro do sistema de certificação não deve ter caráter de reprovação, mas o de observar, levantar e analisar onde há necessidade de complementar o conhecimento adquirido, possibilitando sua sistematização. 

                        Os enfermeiros capacitados e qualificados em cursos de capacitação em PICC estão mais habilitados para inseri-lo, fazer a manutenção e removê-lo. Será capaz de reconhecer os primeiros sinais e sintomas de complicações e intervir para solucioná-los.

CONSIDERANDO a competência técnica do Enfermeiro, estatuída na Lei nº 7.498/86 em seu artigo 11, inciso I, alíneas “c”, “j”, “l” e “m”, e inciso II, alíneas “a”, “b”, “e”, “f” e “j”;

CONSIDERANDO a Resolução COFEN Nº 258/2001 que atribui ao Enfermeiro a função de inserção de Cateter Periférico Central, desde que qualificado e/ou capacitado profissionalmente. 

CONCLUSÃO:

                        Diante do exposto, somos de parecer que a instituição de ensino ou saúde que elaborar Projeto de Capacitação para o profissional Enfermeiro deverá conter momentos de teorização conforme descrição acima e momentos de prática, para que cada enfermeiro aprendiz tenha a oportunidade de inserir no mínimo três cateteres centrais Periférico em pacientes adultos, pediátricos e da neonatologia. A Instituição de Saúde que permitir a execução desse procedimento deverá elaborar protocolo que é favorável ao Enfermeiro executar o PICC em ambulatório e nos diferentes setores de internação.

                        A instituição que ministrar o Curso de Inserção de Cateter Central Periférico, só deverá certificar o profissional Enfermeiro, após cumprir os critérios supracitados para a capacitação deste e após avaliação do conhecimento e habilidades que garanta a execução do referido procedimento, de modo a minimizar os riscos ao paciente.

Brasília, 17 de outubro de 2010

 

Dra. MARIA LAUDELINA DE ASSIS MARQUES
COREN-DF nº 45988-E
Relatora

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. MARTIN, L.G.R., SEGRE, C.A.M. Manual Básico de Acessos Vasculares, São Paulo: Editora Atheneu, 2010.
  2. TAVARES, L.M.E. Terapia Intravenosa: Utilizando Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP), 1.ed., São Paulo: Érica, 2009.
  3. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem, Resolução 258/2001. Disponível em , Acessado em 7 outubro 2010.
  4. PALEFSKI, SS, STODDARD, GJ, In: MARTIN, L.G.R., SEGRE, C.A.M. Manual Básico de Acessos Vasculares, São Paulo: Editora Atheneu, 2010.