12/06/2019

Cientistas descobrem como transformar sangue A em doador universal

Usando uma bactéria que vive no intestino, pesquisadores canadenses conseguiram

Usando uma bactéria que vive no intestino, pesquisadores canadenses conseguiram retirar os açúcares que formam os antígenos sanguíneos

Science Photo Library - TEK IMAGE/Getty Images

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Um dos pontos mais complicados do transplante sanguíneo é que não basta haver apenas um doador disposto a dar um pouco do seu sangue: o líquido deve ser compatível, em tipo sanguíneo e em fator Rh. Nos Estados Unidos, uma pesquisa afirma que, em um dia, 16.500 litros de sangue doado são utilizados para cirurgias e transfusões de rotina.

Um grupo de pesquisadores da University of British Columbia, em Vancouver, Canadá, liderado pelo biólogo químico Stephen Withers, descobriu uma forma de driblar o problema da compatibilidade. Usando uma bactéria encontrada no intestino humano, os cientistas conseguiram transformar uma amostra de sangue A em doador universal, como é conhecido o tipo O.

Com a Flavonifractor plautii, Withers conseguiu remover os antígenos que definiam o fator A. Em uma publicação feita na renomada revista Nature Microbiology, o time explica que a bactéria possui uma enzima que consome combinações de açúcar e proteínas chamadas mucinas, que, por serem muito semelhantes ao açúcar que define o tipo sanguíneo, acabaram transformando o sangue A em O.

O estudo é inicial – ainda é preciso descobrir se a bactéria consumiu mais alguma parte do sangue ou pode trazer problemas no futuro. Mas, se der certo, a descoberta pode transformar a maneira como são feitos tais transplantes. O sangue A é o mais comum do mundo e, se puder ser usado com mais frequência, facilitará todo o processo.

Fonte: Metrópoles